Você tem uma idéia
em mente e quer compartilhá-la com mais
pessoas. Ou foi convidado para proferir uma
palestra, publicar um artigo.
Isso
será bom para a sua carreira e você
se sente todo animado. Mas acha que não
conseguirá dar conta do recado. Então,
adote alguns cuidados e siga certas regras que
facilitarão a sua comunicação.
Em
primeiro lugar, antes de pensar na utilidade
das suas informações, pense no
prazer que isso vai trazer para você.
Escrever
é uma forma de criar e de transcender.
Decida, se você quer escrever como uma
técnica, ou como uma experiência
de arte.
Se
for técnica, você vai compor seu
texto ou seu artigo, você vai trabalhar
mais com o seu intelecto, que com os seus sentimentos.
Não vai precisar sentir. Pelo menos,
não muito. Vai precisar pensar e planejar.
Se você optar por uma experiência
artística, estética, então
você vai criar, vai se abrir e se mostrar.
E vai vibrar.
Qualquer
escolha é válida. Perceba, então,
o que você deseja fazer e como deseja
fazer o que quer fazer...
Responda,
agora, a estas questões:
O
que, exatamente, você quer dizer? (O que
é mais central, mais importante)
Para quem você quer escrever? (Alunos,
colegas, amigos, desconhecidos)
Onde você quer ter disponível,
futuramente, o que você quer dizer? (Nas
Bibliotecas, na casa de pessoas, circulando
pela internet)
Como você quer dizer o que deseja dizer?
(Através de livro, jornal, artigo, conto,
somente com palavras, com ilustrações,
em que língua)
Você quer afirmar algo, causar polêmica,
criticar, apresentar uma nova visão,
fazer uma provocação, escrever
por escrever? (Por que você quer escrever)
Que impressões você quer causar
no seu leitor? (Emoções, admiração,
curiosidade, desejo de saber mais sobre o assunto)
Qual seu ponto de partida? (Em que você
se fundamenta)
O que você quer de bom para você
ao escrever? (Suas gratificações,
dinheiro, status, promoção)
Qual a importância daquilo que você
tem a dizer? (Muda o que, para quem?)
Qual a relevância de escrever isso neste
presente momento?
Uma
vez tendo respondido às questões
acima, você estará mais preparado(a)
para essa aventura. Pegue lápis, caneta
e bloco de papel. Ou sente-se defronte à
sua máquina de escrever, ao seu computador,
onde você mais se sente confortável
e protegido(a).
Verifique
o horário em que é melhor para
você escrever sem ser interrompido(a)
ou mude sua rotina para criá-lo. Verifique
se você gosta de música de fundo,
alguma "coisinha" para comer enquanto
escreve. Algo para beber. Não recomendo
nem cigarro, nem bebida alcoólica.
Agora,
o mais importante, comece a escrever tudo que
lhe vem à cabeça, sem se preocupar
em delimitar ou censurar qualquer coisa, seja
dentro, seja fora do assunto em que você
quer escrever. Depois de um certo tempo, ainda
antes de se cansar, leia e guarde tudo, mas
tudo mesmo, quer tenha gostado, quer não.
Para
quem se inicia nesta arte, é importante
parar antes de se cansar, até para ter
vontade de continuar. Não importa, no
momento, se você já chegou ou não,
onde pretende chegar. Importa o processo de
escrever e de criar. Tenha muitas, muitas folhas
à mão.
Dicas
dinâmicas para o ato de escrever
Muitas
idéias novas surgirão, enquanto
você escreve. Se forem idéias muito
distantes dos objetivos de sua escrita, escreva-as
em outra folha e esqueça-as em seguida.
Muitas
idéias repetidas haverão de se
apresentar, com as mesmas ou com outras palavras.
Depois você seleciona a melhor delas para
os seus propósitos.
Muitas
idéias inéditas, também,
algo em que você precisará pensar.
Muitos
exemplos, através dos quais ilustrar.
Alguns haverão de se encaixar plenamente,
outros não caberão naquela hora.
Não os descarte. Escreva-os, também,
em mais uma outra folha e reserve-os.
Muitas
idéias boas haverão de aparecer
fora de seqüência. Não perca
tempo, neste momento em organizá-las,
simplesmente escreva.
Muitos
erros de português, sintaxe, concordância,
haverão de aparecer. Deixe para corrigir
depois.
Frases
de efeito são interessantes. Sublinhe
ou coloque em um "box".
Frases
e dizeres de outros autores, sobre esse mesmo
assunto. Colecione e depois você encaixa
em meio ao seu texto.
Procure
escrever como se a sua ideía estivesse
acontecendo neste momento. Ou, então,
escreva no passado. Ou no futuro. Procure não
misturar os tempos verbais, a menos que seja
imprescindível para completar a sua idéia.
Por exemplo: Neste momento escrevo (presente),
recordando-me (gerúndio) das inúmeras
vezes em que já o fiz (passado), na intenção
de vir a ser lida (futuro do pretérito)
por muita gente que haverá de aproveitar
(futuro do infinitivo) essa minha contribuição.
Ao menos, meus colegas de grupo haverão
aproveitar (futuro). Espero (presente).
Pense,
visualize alguém sentado, deitado ou
reclinado à sua frente, alguém
a quem você estará contando, explicando
ou demonstrando, através de palavras,
o que você quer dizer. Converse ou exponha.
Escolha o seu estilo para se dirigir a esta
pessoa. Mantenha-a interessada naquilo que você
diz, enquanto escreve. Pense nesta pessoa como
sua amiga, alguém que quer entender.
O
"advogado do diabo" virá
depois, em outro momento, quando o texto já
estiver escrito. Lembre-se que ele aparece para
lhe ajudar a se aperfeiçoar.
Mentalmente,
quando for o caso, faça com que essa
pessoa no seu interior lhe pergunte algo. Faça
de conta que ela não entendeu direito
o que você acabou de dizer/escrever.
Escreva
com simplicidade. É possível,
talvez, dizer a mesma coisa em palavras mais
simples e idéias mais dinâmicas
e atualizadas.
Por
mais complexas que sejam as idéias, o
modo de expressá-las deve ser simples
e claro. As idéias podem ser complexas.
Os dizeres, não.
Utilize-se
de metáforas, sempre que elas ajudarem
o leitor a compreender melhor, além de
entender o que você quer dizer. Mas, avise
tratar-se de um recurso ou uma licença
poética.
O
número de palavras utilizadas deve ser,
também, o mais econômico possível,
sem sacrificar, porém, a clareza do texto.
Para
corrigir um texto, antes de mudar palavras,
leia-o em voz alta e preste atenção
à sonoridade das palavras e das frases.
Frases têm ritmo. É bom que elas
tenham o tamanho da sua respiração,
enquanto fala. Para isso servem os pontos e
as vírgulas. Parágrafos funcionam
como se você fizesse uma inspiração
mais profunda para continuar.
Quando
mudar de assunto, avise o leitor, para que ele
o acompanhe em seu raciocínio. Conduza-o,
sem se apressar. E sem enrolar.
Se
preciso for, utilize-se de frases de acompanhamento,
do tipo " com isso eu quero dizer que...",
"em se tratando de assunto de tamanha
complexidade...", "agora que vimos
a situação desta maneira, vamos
dar uma volta de 180 graus e examiná-la
pelo outro lado...", "mediante esses
resultados, imagine(mos) que..." etc.
Fica
mais simpático colocar-se ao lado do
leitor, usando a primeira pessoa do plural (
Imaginemos ), do que o imperativo, na terceira
pessoa do singular ou do plural ( Imagine ou
imaginem ). Esta segunda forma tem um caráter
mais autoritário e deve ser usada com
cautela, se não o texto fica "duro".
É uma boa forma para quando se quer ser
incisivo e contundente.
Dicas
sobre a estrutura de um texto
Idéia
principal: comece com um exemplo, depois conte
a sua origem e o que isso lhe fez pensar, aonde
pode chegar, qual a importância que aquilo
tem e porque o leitor deve saber disso. Tire
conclusões e faça algumas conjecturas.
Acrescente
uma ou, no máximo, duas idéias
colaterais e porque você está falando
nisso agora.
A
conclusão pode estar no começo
do texto: só quando se quer chamar a
atenção para ela. Depois, desfile
todos os dados e argumentos que levaram à
conclusão e discuta se ela, e mais os
procedimentos, são confiáveis.
Escreva
com organização: primeiro a idéia
principal, depois as demais. Pode ser, porém,
que ao escrever, você mude seu ponto de
vista. Acompanhe o que vem à sua mente,
antes de decidir o que é central e o
que é secundário.
Referências
bibliográficas, fontes de pesquisa e
observação: você tem que
dizer ao leitor de onde tirou as suas idéias.
Se tirou da sua própria cabeça,
diga. Evite, no entanto, inserir esses dados
em meio ao texto. Isso não é uma
tese. Não interrompa o fluxo de pensamento,
a menos que você queira dar um crédito
especial a um outro autor, pesquisador ou qualquer
pessoa/situação a que(m) você
se refira.
Quanto
aos aspectos temporais: Se antes era de outra
maneira e agora mudou, faça o leitor
saber das mudanças. Ajude-o a construir
seu próprio raciocínio ou, ao
menos, conhecer o seu raciocínio. Diga
até quando isso vai durar, permanecer
desse jeito que você está dizendo.
Ou se vai mudar de novo. E porque vai mudar.
Um outro aspecto, delimite, para você
mesmo(a), quanto tempo dura a sua estória/caso:
Um dia? Dois anos? A vida toda?... Um segundo,
somente? Você pode deixar para o final
o esclarecimento ao leitor. Por exemplo, descrever
toda uma vida e, na última frase arrematar:
e tudo isso se passou em sua mente no derradeiro
segundo de sua estória!
Imaginação:
trabalha-se mais com os conceitos de antes,
agora ( durante ) e depois, do que passado,
presente, futuro. Você pode usar os verbos
no tempo afirmativo, sem precisar recorrer ao
como se. Nem aos tempos de verbo no condicional.
O condicional enfraquece o texto.
Quanto
aos aspectos espaciais: Crie um contexto para
o que você deseja dizer. Onde, de onde,
para onde as coisas se passam dessa maneira.
Personagens:
precisam ser coerentes e consistentes. Utilize-se
de poucos personagens. Uma figura central, no
máximo duas. Se for uma estória
de família, por exemplo, dê ênfase
ao pai e ao filho e deixe a mãe em segundo
plano. Ou coloque em primeiro plano os pais
e depois a criança... Não importa.
Os personagens não podem ter, todos,
o mesmo peso. Em geral, há um personagem
central ( o herói da estória )
e tudo o mais gira em torno dele.
Escolha
se você será um narrador oculto,
ou um partícipe da estória. Na
qualidade de observador, você é,
também, um partícipe. Será
que as coisas aconteceriam dessa mesma maneira,
caso você não estivesse lá
para observá-las?!
Elementos
impressivos: cores, sons ( onomatopéias
), cheiros, texturas, movimentos, temperatura,
ajudam o leitor a se identificar com o personagem.
E com o lugar. Utilize-se de dados históricos
reais.
Dê
títulos aos capítulos. O título
principal, em geral, é o último
a nos recorrer. Igualzinho ao nascimento de
uma criança: primeiro tem que nascer
a criança, depois ela é batizada
e registrada.
Agradecimentos
devem ser breves e vir no início. O prólogo,
ou a apresentação do texto pode
ser feita pelo próprio autor ou por uma
outra pessoa, de preferência uma autoridade
reconhecida na área. Dedicatória,
se for o caso. Pode colocar só o(s) nome(s),
sem explicar quem são eles para você.
Costuma-se relatar o grau de parentesco ou o
tipo de relacionamento.
Depois
de escrever, deixe descansar, antes de recomeçar
a ler e querer corrigir. Não corrija
enquanto escreve. Mãos à obra
e BOA SORTE!!!