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CONSULTORIA EMPRESARIAL

ARTIGOS
 
SOBRE O UNIVERSO DO TRABALHO E DAS ORGANIZAÇÕES
 
PARA ESCREVER O SEU TEXTO E O SEU ARTIGO
 
Por Ana Perwin Fraiman
 

Você tem uma idéia em mente e quer compartilhá-la com mais pessoas. Ou foi convidado para proferir uma palestra, publicar um artigo.

Isso será bom para a sua carreira e você se sente todo animado. Mas acha que não conseguirá dar conta do recado. Então, adote alguns cuidados e siga certas regras que facilitarão a sua comunicação.

Em primeiro lugar, antes de pensar na utilidade das suas informações, pense no prazer que isso vai trazer para você.

Escrever é uma forma de criar e de transcender. Decida, se você quer escrever como uma técnica, ou como uma experiência de arte.

Se for técnica, você vai compor seu texto ou seu artigo, você vai trabalhar mais com o seu intelecto, que com os seus sentimentos. Não vai precisar sentir. Pelo menos, não muito. Vai precisar pensar e planejar.

Se você optar por uma experiência artística, estética, então você vai criar, vai se abrir e se mostrar. E vai vibrar.

Qualquer escolha é válida. Perceba, então, o que você deseja fazer e como deseja fazer o que quer fazer...

Responda, agora, a estas questões:

O que, exatamente, você quer dizer? (O que é mais central, mais importante)

Para quem você quer escrever? (Alunos, colegas, amigos, desconhecidos)

Onde você quer ter disponível, futuramente, o que você quer dizer? (Nas Bibliotecas, na casa de pessoas, circulando pela internet)

Como você quer dizer o que deseja dizer? (Através de livro, jornal, artigo, conto, somente com palavras, com ilustrações, em que língua)

Você quer afirmar algo, causar polêmica, criticar, apresentar uma nova visão, fazer uma provocação, escrever por escrever? (Por que você quer escrever)

Que impressões você quer causar no seu leitor? (Emoções, admiração, curiosidade, desejo de saber mais sobre o assunto)

Qual seu ponto de partida? (Em que você se fundamenta)

O que você quer de bom para você ao escrever? (Suas gratificações, dinheiro, status, promoção)

Qual a importância daquilo que você tem a dizer? (Muda o que, para quem?)

Qual a relevância de escrever isso neste presente momento?

Uma vez tendo respondido às questões acima, você estará mais preparado(a) para essa aventura. Pegue lápis, caneta e bloco de papel. Ou sente-se defronte à sua máquina de escrever, ao seu computador, onde você mais se sente confortável e protegido(a).

Verifique o horário em que é melhor para você escrever sem ser interrompido(a) ou mude sua rotina para criá-lo. Verifique se você gosta de música de fundo, alguma "coisinha" para comer enquanto escreve. Algo para beber. Não recomendo nem cigarro, nem bebida alcoólica.

Agora, o mais importante, comece a escrever tudo que lhe vem à cabeça, sem se preocupar em delimitar ou censurar qualquer coisa, seja dentro, seja fora do assunto em que você quer escrever. Depois de um certo tempo, ainda antes de se cansar, leia e guarde tudo, mas tudo mesmo, quer tenha gostado, quer não.

Para quem se inicia nesta arte, é importante parar antes de se cansar, até para ter vontade de continuar. Não importa, no momento, se você já chegou ou não, onde pretende chegar. Importa o processo de escrever e de criar. Tenha muitas, muitas folhas à mão.

Dicas dinâmicas para o ato de escrever

Muitas idéias novas surgirão, enquanto você escreve. Se forem idéias muito distantes dos objetivos de sua escrita, escreva-as em outra folha e esqueça-as em seguida.

Muitas idéias repetidas haverão de se apresentar, com as mesmas ou com outras palavras. Depois você seleciona a melhor delas para os seus propósitos.

Muitas idéias inéditas, também, algo em que você precisará pensar.

Muitos exemplos, através dos quais ilustrar. Alguns haverão de se encaixar plenamente, outros não caberão naquela hora. Não os descarte. Escreva-os, também, em mais uma outra folha e reserve-os.

Muitas idéias boas haverão de aparecer fora de seqüência. Não perca tempo, neste momento em organizá-las, simplesmente escreva.

Muitos erros de português, sintaxe, concordância, haverão de aparecer. Deixe para corrigir depois.

Frases de efeito são interessantes. Sublinhe ou coloque em um "box".

Frases e dizeres de outros autores, sobre esse mesmo assunto. Colecione e depois você encaixa em meio ao seu texto.

Procure escrever como se a sua ideía estivesse acontecendo neste momento. Ou, então, escreva no passado. Ou no futuro. Procure não misturar os tempos verbais, a menos que seja imprescindível para completar a sua idéia. Por exemplo: Neste momento escrevo (presente), recordando-me (gerúndio) das inúmeras vezes em que já o fiz (passado), na intenção de vir a ser lida (futuro do pretérito) por muita gente que haverá de aproveitar (futuro do infinitivo) essa minha contribuição. Ao menos, meus colegas de grupo haverão aproveitar (futuro). Espero (presente).

Pense, visualize alguém sentado, deitado ou reclinado à sua frente, alguém a quem você estará contando, explicando ou demonstrando, através de palavras, o que você quer dizer. Converse ou exponha. Escolha o seu estilo para se dirigir a esta pessoa. Mantenha-a interessada naquilo que você diz, enquanto escreve. Pense nesta pessoa como sua amiga, alguém que quer entender.

O "advogado do diabo" virá depois, em outro momento, quando o texto já estiver escrito. Lembre-se que ele aparece para lhe ajudar a se aperfeiçoar.

Mentalmente, quando for o caso, faça com que essa pessoa no seu interior lhe pergunte algo. Faça de conta que ela não entendeu direito o que você acabou de dizer/escrever.

Escreva com simplicidade. É possível, talvez, dizer a mesma coisa em palavras mais simples e idéias mais dinâmicas e atualizadas.

Por mais complexas que sejam as idéias, o modo de expressá-las deve ser simples e claro. As idéias podem ser complexas. Os dizeres, não.

Utilize-se de metáforas, sempre que elas ajudarem o leitor a compreender melhor, além de entender o que você quer dizer. Mas, avise tratar-se de um recurso ou uma licença poética.

O número de palavras utilizadas deve ser, também, o mais econômico possível, sem sacrificar, porém, a clareza do texto.

Para corrigir um texto, antes de mudar palavras, leia-o em voz alta e preste atenção à sonoridade das palavras e das frases. Frases têm ritmo. É bom que elas tenham o tamanho da sua respiração, enquanto fala. Para isso servem os pontos e as vírgulas. Parágrafos funcionam como se você fizesse uma inspiração mais profunda para continuar.

Quando mudar de assunto, avise o leitor, para que ele o acompanhe em seu raciocínio. Conduza-o, sem se apressar. E sem enrolar.

Se preciso for, utilize-se de frases de acompanhamento, do tipo " com isso eu quero dizer que...", "em se tratando de assunto de tamanha complexidade...", "agora que vimos a situação desta maneira, vamos dar uma volta de 180 graus e examiná-la pelo outro lado...", "mediante esses resultados, imagine(mos) que..." etc.

Fica mais simpático colocar-se ao lado do leitor, usando a primeira pessoa do plural ( Imaginemos ), do que o imperativo, na terceira pessoa do singular ou do plural ( Imagine ou imaginem ). Esta segunda forma tem um caráter mais autoritário e deve ser usada com cautela, se não o texto fica "duro". É uma boa forma para quando se quer ser incisivo e contundente.

Dicas sobre a estrutura de um texto

Idéia principal: comece com um exemplo, depois conte a sua origem e o que isso lhe fez pensar, aonde pode chegar, qual a importância que aquilo tem e porque o leitor deve saber disso. Tire conclusões e faça algumas conjecturas.

Acrescente uma ou, no máximo, duas idéias colaterais e porque você está falando nisso agora.

A conclusão pode estar no começo do texto: só quando se quer chamar a atenção para ela. Depois, desfile todos os dados e argumentos que levaram à conclusão e discuta se ela, e mais os procedimentos, são confiáveis.

Escreva com organização: primeiro a idéia principal, depois as demais. Pode ser, porém, que ao escrever, você mude seu ponto de vista. Acompanhe o que vem à sua mente, antes de decidir o que é central e o que é secundário.

Referências bibliográficas, fontes de pesquisa e observação: você tem que dizer ao leitor de onde tirou as suas idéias. Se tirou da sua própria cabeça, diga. Evite, no entanto, inserir esses dados em meio ao texto. Isso não é uma tese. Não interrompa o fluxo de pensamento, a menos que você queira dar um crédito especial a um outro autor, pesquisador ou qualquer pessoa/situação a que(m) você se refira.

Quanto aos aspectos temporais: Se antes era de outra maneira e agora mudou, faça o leitor saber das mudanças. Ajude-o a construir seu próprio raciocínio ou, ao menos, conhecer o seu raciocínio. Diga até quando isso vai durar, permanecer desse jeito que você está dizendo. Ou se vai mudar de novo. E porque vai mudar. Um outro aspecto, delimite, para você mesmo(a), quanto tempo dura a sua estória/caso: Um dia? Dois anos? A vida toda?... Um segundo, somente? Você pode deixar para o final o esclarecimento ao leitor. Por exemplo, descrever toda uma vida e, na última frase arrematar: e tudo isso se passou em sua mente no derradeiro segundo de sua estória!

Imaginação: trabalha-se mais com os conceitos de antes, agora ( durante ) e depois, do que passado, presente, futuro. Você pode usar os verbos no tempo afirmativo, sem precisar recorrer ao como se. Nem aos tempos de verbo no condicional. O condicional enfraquece o texto.

Quanto aos aspectos espaciais: Crie um contexto para o que você deseja dizer. Onde, de onde, para onde as coisas se passam dessa maneira.

Personagens: precisam ser coerentes e consistentes. Utilize-se de poucos personagens. Uma figura central, no máximo duas. Se for uma estória de família, por exemplo, dê ênfase ao pai e ao filho e deixe a mãe em segundo plano. Ou coloque em primeiro plano os pais e depois a criança... Não importa. Os personagens não podem ter, todos, o mesmo peso. Em geral, há um personagem central ( o herói da estória ) e tudo o mais gira em torno dele.

Escolha se você será um narrador oculto, ou um partícipe da estória. Na qualidade de observador, você é, também, um partícipe. Será que as coisas aconteceriam dessa mesma maneira, caso você não estivesse lá para observá-las?!

Elementos impressivos: cores, sons ( onomatopéias ), cheiros, texturas, movimentos, temperatura, ajudam o leitor a se identificar com o personagem. E com o lugar. Utilize-se de dados históricos reais.

Dê títulos aos capítulos. O título principal, em geral, é o último a nos recorrer. Igualzinho ao nascimento de uma criança: primeiro tem que nascer a criança, depois ela é batizada e registrada.

Agradecimentos devem ser breves e vir no início. O prólogo, ou a apresentação do texto pode ser feita pelo próprio autor ou por uma outra pessoa, de preferência uma autoridade reconhecida na área. Dedicatória, se for o caso. Pode colocar só o(s) nome(s), sem explicar quem são eles para você. Costuma-se relatar o grau de parentesco ou o tipo de relacionamento.

Depois de escrever, deixe descansar, antes de recomeçar a ler e querer corrigir. Não corrija enquanto escreve. Mãos à obra e BOA SORTE!!!

 
 

 
 
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