Menu
:: Home
:: Artigos
:: Assessoria Escolar
:: Blog Leo Fraiman
:: Cadastro
:: Clientes
:: Clínica Psicológica
:: Clube Mediadores
:: Consultoria Empresarial
:: Cursos
:: Faculdade
:: Fale Conosco
:: Fotos
:: Guia de profissões
:: Newsletter
:: Notícias
:: Orientação Familiar
:: Orientação Profissional
:: Parceiros
:: Profissionais
:: Revista Orientador
:: Sala de Imprensa
:: Shopping
:: Temas de Palestras
:: Testemunhos de Qualidade
:: Testes
 

  Comunidades no Orkut
 
 
:: Comunidade Leo Fraiman
:: Comunidade Teenager
 
 
 
:: Eventos Teenager
 
 
CONSULTORIA EMPRESARIAL

ARTIGOS
 
SOBRE APOSENTADORIA E ENVELHECIMENTO
 
FOTOS DE FAMÍLIA
 
Por Ana Perwin Fraiman
 

"Quando eu me vejo nas fotografias de agora procuro pela minha juventude. Onde está aquele sorriso largo de menina-veneno, aquela postura segura e desafiante? Onde estão os meus cabelos fartos, cuja rebeldia eu levava presa num longo rabo-de cavalo? Não. Hoje encontro um rosto sereno e quase triste em meio a uma aura de respeitabilidade, muito provavelmente acentuada pelos meus cabelos brancos curtos e ralos, porém, bem assentados. E um sulco muito profundo e escuro contornando a minha boca, agora quase sempre fechada. Não gosto daquilo que vejo. Gosto muito daquilo que sou".

Muitos idosos não gostam de rever seus álbuns, por não suportarem bem o confronto com as mudanças físicas ocorridas em seu corpo e em sua aparência.

Têm predileção por uma ou outra foto de sua juventude, mas não apreciam as antigas imagens, que lhes despertam saudades e provocam sentimentos de melancolia. Saudades de seus pais e tios, irmãos já falecidos, dos locais já visitados e de seus tempos idos.

Embora guardem com zelo suas lembranças, somente uma ou outra imagem de pai e de mãe é mais visitada. Não é fácil arcar com a falta dos entes mais queridos, mesmo quando a família de hoje é presente e cuidadosa. Quem dirá naqueles casos em que a pessoa vive sozinha...

Quando se pergunta para algum idoso, qual sua foto preferida, dificilmente haverá de mostrar uma foto de agora. Sua preferência ficou fixada nalguma imagem de antigamente, muito provavelmente no auge de sua idade adulta, na casa dos trinta.

O que perdura é a imagem de si mesmo em seu momento melhor.

É assim que prefere continuar a se ver no hoje, mesmo se enxergando todos os dias no espelho. As mudanças aconteceram, mas o que perdura é a imagem interna de si próprio enquanto jovem, é assim que a pessoa se vê e quer ser vista por todos: em seu momento melhor.

As mudanças ocorridas são tidas como borrões, que foram acrescidos a uma bela figura que, esmaecida pelo tempo, conserva-se nítida e intacta em seu coração até agora. É interessante a sua fala:

"Esta sou eu", apontando uma menina, "nos braços de minha tia-avó, na fazenda onde meus avós moravam, no interior de São Paulo"..."Esta sou eu, montada numa égua mansa, presente de meu pai quando fiz oito anos". Segue apontando. "Esta sou eu, na minha festa de quinze... Minha prima Helena, minha amiga Valquíria. Ah, e este foi meu primeiro namorado! Ah, aqui estou eu, com a minha turma do secretariado. Veja que beleza de moça, eu era. Aqui estamos, eu e minha irmã, numa viagem que fizemos à Roma. E aqui estou eu, em Buenos Aires, com o casaco que comprei com o meu primeiro ordenado! Ah, aqui estou eu, de novo, vestida de noiva... Agora, entrando na igreja com o meu pai..."

Essa fala vem vindo pelos tempos até seu casamento, quando então passa a apontar mais amiúde as pessoas de sua família:

"Esta é a minha primeira filha, na maternidade. E esta, no dia em que dançou quadrilha pela primeira vez na escola! Esse é meu filho, quando entrou para fazer CPOR. Ah, esta é a namorada dele, não com quem ele se casou. É outra. Ah, está aqui, esta é a minha nora, magrinha, magrinha. E este é o pai do meu genro. Meu netinho, não é uma beleza? Agora está com dezessete anos! Minha neta, no seu baile de debutante. Este é o namoradinho dela. A mãe dele. Uma bela senhora".

"Eu? Você está querendo saber de ‘eu’? Eu, não importo, deixa lhe mostrar as fotos da minha família. Eles é que interessam... Eu, não, já estou velha."

Em meio aos retratos de família, sua pessoa vai desaparecendo das suas referências e assinalamentos, como se deixasse transparecer a perda de sua importância em meio a todos eles. Seria esta uma atitude genuinamente altruísta ou um auto-desmerecimento que transparece ao lidar com os álbuns de família?

Uma coisa é certa: quando somos jovens não temos a menor capacidade de ceder vez aos outros. O mundo gira em torno de nós mesmos, de nossos desejos, de nossos sentimentos. Nosso pai é nossa propriedade. Nossa mãe é nossa extensão. Embora não saibamos como poderíamos viver sem eles e a simples idéia de que isso possa vir a ocorrer um dia nos coloca em desespero, o fato é que eles estão lá para nos servir.

Quando crescemos e passamos a ter a nossa própria família, sentimos os filhos como sendo nossos, um presente dos céus para cuidarmos. E nossos pais são aqueles com quem contamos, em quem nos apoiamos para zelar pela nossa prole e são os pequenos que passam a ocupar em nossas mentes o primeiro lugar.

Se antes não sabíamos como viver sem os nossos pais, agora começamos a suportar melhor essa idéia, mas sabemos que enlouqueceríamos se nos tirassem nossos filhos.

Chega-se a um ponto em que muitos acabam, realmente, por passar pela maior dor do mundo, a dor de perdê-los e, ainda assim, sobrevivem. Passado um tempo, revivem.

Começamos a perceber, então, através de experiências próprias e através de nossos sentimentos solidários às dores e as alegrias alheias, que o ser humano é muito forte e resistente e que, com a idade, longe desta força se exaurir, ela redobra. Em palavras muito simples "a gente extrai forças, nem se sabe de onde!".

A família é o palco onde os maiores dramas vivenciais são representados.

Com certeza, a família é o palco onde os maiores dramas vivenciais são representados. E nada melhor do que a família para nos ajudar a construir um caráter muito forte e confiável.

Parte deste caráter, desta fortaleza interior se traduz pelo aprendizado dos papéis e das funções que desempenhamos em família. Passar do estágio em que acreditamos ser o centro do mundo para o estágio em que sabemos ser somente “mais um” no mundo é um feito notável, que nem todas pessoas conseguem.

Se, de início nossa sobrevivência emocional, além, de material é totalmente dependente de nossos pais e, mais tarde, passamos a ser quase que totalmente dependente, emocionalmente, dos nossos filhos, ao envelhecermos, nossa sobrevivência emocional passa a ser dependente das nossas próprias forças e crenças, diretamente conectadas com a nossa espiritualidade.

Ao envelheceremos, não há mais motivos externos a nós, que justifiquem os nossos esforços. Não temos mais a quem obedecer, nem agradar. E não precisamos mais servir de apoio, nem de exemplo para ninguém.

Não há nada a nos inspirar continuar, a não ser o nosso próprio propósito de viver, a descoberta do valor da vida. Isto não significa negar o valor e a importância da família e dos nossos relacionamentos, muito pelo contrário.

Significa sair de uma posição egocêntrica para uma posição altruísta genuína. Aqui, podemos "sair de lado", não porque a gente se sinta diminuída e menos interessante, mas porque desenvolvemos um gosto especial por observar, por acompanhar, por ser solidário.

Trata-se de uma nova forma de participar, sem que seja preciso ficar provando valor a toda hora, nem ficar disputando os méritos de tudo. Antes, eles eram nossos. Agora, passamos a ser deles.

Então, quando um idoso nos mostra seu álbum de família e diz: "Eu? Não importa, já estou velho. Olhe para os meus", isso não significa, necessariamente, que se sinta diminuído ou que sua auto-estima esteja em baixa. Pode ser, justamente, o contrário.

Pode ser que esta pessoa esteja nos dizendo que se sente importante por pertencer a uma rede maior, que sabe apreciar o que os demais têm de bom e de bonito. E que não mais deseja ser o foco das atenções. Já não precisa sentir-se o mais importante, porque sabe que cada qual tem seu próprio valor. Importância se tira e se dá. Valor é aquilo que a pessoa demonstra ser.

Conservará, no entanto, em sua memória, o gosto peculiar de suas conquistas pessoais, do seu tempo de juventude plena, o sabor de um poder especial, provado num tempo em que acreditava que o mundo estava a seus pés. Tinha beleza, tinha juventude, tinha sonhos e muita coragem. Será esta a imagem que conservará de si, através de uma foto preservada com cuidado e com carinho: seu momento de muito orgulho de si próprio.

Ela haverá de ceder espaço ao orgulho pela família que criou onde, neste momento, passou a ser só mais um alguém a apoiar a juventude que se renovou e da qual não mais faz parte.

É essa imagem de juventude que procura em seu rosto físico e não mais encontra, mas na qual se fia, quando seu olhar se dirigir para dentro, para a pessoa que se tornou: "Não gosto do que vejo nas fotos e no espelho, mas gosto muito de ser quem sou".

 
 

 
 
Av. Brig. Faria Lima, 1811, conj. 321 - CEP: 01452-001 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP - Tel: (11) 3813-5311 / (11) 3815-9496