São aquelas que se sentem
belas, só por se reconhecerem naquela
aparência que se reflete nos olhos brilhantes
e nos olhares de confiança de seus filhotes.
Mães
são, também, aquelas que se deslocam
de seu próprio eixo, no prazer de servir,
mesmo quando, em desespero, se perguntam de
vez em vez: Mas o que é que eu fui fazer
comigo?!
Portadoras
de uma deficiência grave, chamada "falta
de tempo para si mesmas" são excelentes
em ter tempo de sobra para acompanhar o crescimento
de seus filhos, cada um a seu próprio
tempo. E, depois, em nova crise de desespero,
indagar: Querido, onde estão as crianças?!
Elas cresceram, mesmo?
Sofrem
de uma espécie de inveja de si mesmas,
pela maravilhosa mãe que são.
Maravilhosas para os filhos alheios, chatas
e ridículas para os próprios.
Procuram,
também, explicações terrenas
para os filhos que fizeram e para os que não
fizeram. E só encontram explicações
divinas.
Quando
mais velhas é que entendem: a feliz coincidência
de haverem tido os filhos que tiveram, foi a
razão primeira e única para terem-se
tornado quem jamais teriam sido, sem seus sacrifícios.
Falo
dos sacrifícios dos filhos, claro. Sim,
porque eles sobrevivem às suas mães
e são quem são, apesar delas.
Mas, com elas é que vivem um primeiro
mundo, seguro e confiável. Com elas é
que sentem o imenso prazer de serem adorados.
Prazer este que buscarão no sexo, no
trabalho, na fama, dinheiro e arte.
Por vezes, até na religião.
Prazer
este que só será sentido mais
tarde às avessas quando, abandonando-as
à própria sorte, haverão
de tentar, novamente, a sorte de serem novas
vítimas dos acertos da natureza.
FELIZ
DIA DAS MÃES!