"Será que vou ficar
assim?!" A pessoa olha com horror para
seus pais ou avós e sente-se ameaçada
quanto ao seu próprio futuro. Seja por
doença, seja pela infelicidade daqueles
que envelhecem mal, porque vivem mal.
Há
situações que não podemos
prever, nem evitar. Mas há aquelas que
decorrem, naturalmente, do estilo de vida que
as pessoas levam. Para encarar o medo de envelhecer
sozinho é necessário verificar:
você tem medo de se envolver?
Se
você vive justificando as suas inseguranças,
seu medo vai ficar ainda mais arraigado dentro
de você. Muitas vezes não se tem
consciência disso. Afinal, a cidade é
– mesmo – violenta. E muitos amigos
podem nos trair. Mas, trancar-se em casa e evitar
se envolver com outras pessoas, porque um dia
se foi ferido, é ficar alimentando uma
barreira em torno de você que, mais tarde,
com certeza vai levar à solidão.
A
primeira coisa a ser feita é não
procurar justificar esse medo, mas procurar
reconhecer a sua substância.
As
pessoas não ficam sozinhas porque envelhecem,
mas porque deixaram de cultivar amigos. É
claro que, quando se é muito velhinho,
os amigos vão morrendo. E quando se está
fraquinho, confinado dentro de casa, é
muito difícil fazer novas amizades.
De
resto, enquanto você pode sair, bater
pé na rua, sentar-se em um banco de praça,
olhar vitrines, sempre é possível
cruzar com alguém interessante. O problema
é se você se acha interessante.
Assuntos?
Tem aos montes nos livros, muito mais que em
revistas. Nos filmes e exposições.
Nos grupos de lazer, então, nem se fala!
O mundo se abre. Companhia? Mais que isso, verdadeiros
amigos que estão tão ávidos
quanto você para ter quem toque a campainha
da sua casa, quem telefone à noite para
um papinho ou quem convide para um cinema no
sábado à tarde.
Há
quem sofra de fobia social: o medo de se relacionar
com outras pessoas.
Tem
um problema que pode ter permanecido oculto,
enquanto você era mais jovem, trabalhava
e estava com a casa cheia de gente. É
a fobia social.
Trata-se
de um tipo especial de fobia, que pode ficar
mascarada por toda uma vida adulta, uma vez
que, tendo um papel a desempenhar, tarefas a
cumprir e metas a alcançar, a pessoa
sente-se à vontade em seu mundo profissional
e familiar.
Depois
é que são elas. Quando são
demitidas ou se aposentam, ou quando os filhos
crescem e "não estão nem
aí" para com os pais, e a pessoa
volta a ficar mais sozinha, o medo de se relacionar
com pessoas novas toma conta!
Trata-se
de um medo específico de não ser
bem aceito, de ser ridicularizado ou testado,
exigido de alguma forma que a pessoa não
consiga corresponder. Sua auto-estima é
muito baixa e o seu terror é de ser excluída.
Para
não correr esse risco, então,
a pessoa exclui as outras... antes que o façam!
Ao menos, desta forma, acredita que poderá
poupar-se da humilhação.
Se
ao menos tudo isso fosse consciente, a pessoa
poderia enfrentar o seu medo de sentir medo.
Mas, não. Fica inventando desculpas:
"Hoje não dá. Amanhã,
não sei se vou ter tempo".
Para
piorar, pode valer-se de tanta simpatia que
ninguém jamais suspeitaria de que está
é morrendo de medo de conhecer novas
pessoas e não se sair bem. Afinal, para
driblar sua insegurança e seu profundo
sentimento de inferioridade, pode ter aprendido
a ser polida e simpática. E agora...
nem ela própria desconfia.
Sente-se
só, mas vai adiando qualquer possibilidade
de se enturmar. Você convida para uma
festa, está cansada. Convida para o clube,
tem que visitar os parentes no Interior. Convida
para conhecer as novas amigas que você
fez, "fica para outro dia". E assim,
de desculpa em desculpa, vai se isolando, sem
perceber.
A
fobia social está ligada ao desejo de
controlar os outros.
Esse
tipo de medo tem suas raízes num foco
de controle. Se a pessoa sentir que não
pode dominar a situação, foge
rapidinho dela. Seu medo antecipado de um insulto
ou ofensa futura a faz refugiar-se num pequeno
espaço social.
Acaba
por esperar demais de seus filhos e familiares
mais próximos e cria um estilo de vida
que, na velhice, vai lhe custar muito sofrimento.
Essas
pessoas, quase sempre, além de solitárias,
tornam-se insatisfeitas, amargas e céticas.
Elas começam a criar a caso e afastam
a gente. Claro, pois nos afstando, elas não
têm que se esforçar para conviver.
É
quando nos assustamos com elas e com as transformações
que sofreram. "Credo! Quando a minha tia
era mais jovem, era uma simpatia só.
Agora que envelheceu... Será que eu,
também, vou ficar assim, desse jeito?!"
A
boa resposta é: Cuide-se! Se você
já começou a se afastar de amigos
e a fechar-se em seu mundinho, procure ajuda!
Fobias têm cura.
No
mundo, quem não se envolve, não
se desenvolve. E idade não é,
nem nunca foi, impedimento para alguém
se relacionar bem.