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CONSULTORIA EMPRESARIAL

ARTIGOS
 
SOBRE APOSENTADORIA E ENVELHECIMENTO
 
O MEDO DE ENVELHECER
 
Por Ana Perwin Fraiman
 

"Será que vou ficar assim?!" A pessoa olha com horror para seus pais ou avós e sente-se ameaçada quanto ao seu próprio futuro. Seja por doença, seja pela infelicidade daqueles que envelhecem mal, porque vivem mal.

Há situações que não podemos prever, nem evitar. Mas há aquelas que decorrem, naturalmente, do estilo de vida que as pessoas levam. Para encarar o medo de envelhecer sozinho é necessário verificar: você tem medo de se envolver?

Se você vive justificando as suas inseguranças, seu medo vai ficar ainda mais arraigado dentro de você. Muitas vezes não se tem consciência disso. Afinal, a cidade é – mesmo – violenta. E muitos amigos podem nos trair. Mas, trancar-se em casa e evitar se envolver com outras pessoas, porque um dia se foi ferido, é ficar alimentando uma barreira em torno de você que, mais tarde, com certeza vai levar à solidão.

A primeira coisa a ser feita é não procurar justificar esse medo, mas procurar reconhecer a sua substância.

As pessoas não ficam sozinhas porque envelhecem, mas porque deixaram de cultivar amigos. É claro que, quando se é muito velhinho, os amigos vão morrendo. E quando se está fraquinho, confinado dentro de casa, é muito difícil fazer novas amizades.

De resto, enquanto você pode sair, bater pé na rua, sentar-se em um banco de praça, olhar vitrines, sempre é possível cruzar com alguém interessante. O problema é se você se acha interessante.

Assuntos? Tem aos montes nos livros, muito mais que em revistas. Nos filmes e exposições. Nos grupos de lazer, então, nem se fala! O mundo se abre. Companhia? Mais que isso, verdadeiros amigos que estão tão ávidos quanto você para ter quem toque a campainha da sua casa, quem telefone à noite para um papinho ou quem convide para um cinema no sábado à tarde.

Há quem sofra de fobia social: o medo de se relacionar com outras pessoas.

Tem um problema que pode ter permanecido oculto, enquanto você era mais jovem, trabalhava e estava com a casa cheia de gente. É a fobia social.

Trata-se de um tipo especial de fobia, que pode ficar mascarada por toda uma vida adulta, uma vez que, tendo um papel a desempenhar, tarefas a cumprir e metas a alcançar, a pessoa sente-se à vontade em seu mundo profissional e familiar.

Depois é que são elas. Quando são demitidas ou se aposentam, ou quando os filhos crescem e "não estão nem aí" para com os pais, e a pessoa volta a ficar mais sozinha, o medo de se relacionar com pessoas novas toma conta!

Trata-se de um medo específico de não ser bem aceito, de ser ridicularizado ou testado, exigido de alguma forma que a pessoa não consiga corresponder. Sua auto-estima é muito baixa e o seu terror é de ser excluída.

Para não correr esse risco, então, a pessoa exclui as outras... antes que o façam! Ao menos, desta forma, acredita que poderá poupar-se da humilhação.

Se ao menos tudo isso fosse consciente, a pessoa poderia enfrentar o seu medo de sentir medo. Mas, não. Fica inventando desculpas: "Hoje não dá. Amanhã, não sei se vou ter tempo".

Para piorar, pode valer-se de tanta simpatia que ninguém jamais suspeitaria de que está é morrendo de medo de conhecer novas pessoas e não se sair bem. Afinal, para driblar sua insegurança e seu profundo sentimento de inferioridade, pode ter aprendido a ser polida e simpática. E agora... nem ela própria desconfia.

Sente-se só, mas vai adiando qualquer possibilidade de se enturmar. Você convida para uma festa, está cansada. Convida para o clube, tem que visitar os parentes no Interior. Convida para conhecer as novas amigas que você fez, "fica para outro dia". E assim, de desculpa em desculpa, vai se isolando, sem perceber.

A fobia social está ligada ao desejo de controlar os outros.

Esse tipo de medo tem suas raízes num foco de controle. Se a pessoa sentir que não pode dominar a situação, foge rapidinho dela. Seu medo antecipado de um insulto ou ofensa futura a faz refugiar-se num pequeno espaço social.

Acaba por esperar demais de seus filhos e familiares mais próximos e cria um estilo de vida que, na velhice, vai lhe custar muito sofrimento.

Essas pessoas, quase sempre, além de solitárias, tornam-se insatisfeitas, amargas e céticas. Elas começam a criar a caso e afastam a gente. Claro, pois nos afstando, elas não têm que se esforçar para conviver.

É quando nos assustamos com elas e com as transformações que sofreram. "Credo! Quando a minha tia era mais jovem, era uma simpatia só. Agora que envelheceu... Será que eu, também, vou ficar assim, desse jeito?!"

A boa resposta é: Cuide-se! Se você já começou a se afastar de amigos e a fechar-se em seu mundinho, procure ajuda! Fobias têm cura.

No mundo, quem não se envolve, não se desenvolve. E idade não é, nem nunca foi, impedimento para alguém se relacionar bem.

 
 

 
 
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