Missão é aquilo
que precisamos realizar em vida, a expressão
da nossa alma, que vai impressa no cotidiano
do nosso trabalho, do nosso lar e dos nossos
relacionamentos.
Para
escrever sua missão a pessoa passa a
descrever seu autoconceito de ideal, sob forma
de uma visão ou uma imagem-guia, que
a inspira a superar-se, a dar o melhor de si.
Esse
"dar o melhor de si" é entendido
como se doar aos outros, ficando esquecido o
dar o melhor de si, também, para si e
não negligenciar as próprias necessidades.
Muita
gente quer melhorar a imagem de si (marketing
pessoal), melhorar sua comunicação
e melhorar suas maneiras, além de seus
conhecimentos. Temos vivido sob a pressão
de uma onda de "melhorismos", sempre
perante o outro.
O
fato é que se pode passar uma excelente
imagem, sem, contudo, precisar "mexer
uma palha" para tornar-se um ser humano
de mais valor.
Uma
coisa é a auto-apresentação,
a imagem ideal a partir da qual a pessoa deseja
ser vista e as medidas que se propõem
para aquilatar o seu sucesso. O fato é
que, ganhar novos conhecimentos e habilidades
não torna ninguém melhor.
Precisamos
cuidar da qualidade dos conhecimentos e dos
propósitos a que servimos. E isso requer
mente aberta, juízo crítico e
muita integridade.
Outra
coisa é quando alguém se dedica
a abraçar sua imagem-guia ao longo de
sua vida. Isso pode ajudar muito na renovação
das esperanças e pode até servir
de efeito profilático para a resolução
de problemas e conflitos, mas há riscos
na empreitada de auto-superação.
O
perfeccionismo não torna ninguém
melhor, torna a pessoa infeliz.
A
pessoa já parte de uma idéia errônea
de estar sempre a dever. Sua autocrítica
excessiva, sem autoconhecimento suficiente para
discernir sua pessoa, da imagem ideal que fez
de si pode fazê-la perder o contato com
o seu "eu real" , pois sempre haverá
o que corrigir e sempre haverá o que
não é possível mudar.
Sob
a ideologia do melhorismo, a pessoa vai acumular
um sem-número de experiências que,
ora vão jogar sua auto-estima lá
para o alto, ora vão joga-la para o fundo
do poço. O perfeccionismo faz com que
o emocional seja muito instável.
Uma
imagem-guia, missão ou visão,
é a descrição do lado "luz"
de uma pessoa. Não é a pessoa.
Além disso, ao entrar me contato com
a sua luz, inevitavelmente entrará em
contato com o seu lado "sombra",
aqueles aspectos nada bonitos ou agradáveis
de si mesma, mas que têm um enorme potencial
de transformação e de realização
através da aprendizagem.
Quando
se monta uma imagem-guia, os aspectos sombrios
aparecem, igualmente. E é bom que assim
seja. A pessoa precisa entrar em contato com
as suas "pequenezas" e com grandezas
insuspeitadas que ainda não se revelaram.
Ninguém
é melhor que ninguém.
É
necessário que saibamos de nossas qualidades
menos nobres, para que ninguém se advogue
"melhor do que os outros".
A
compaixão nasce da nossa capacidade de
aceitarmos nossas falhas humanas e não
projeta-las nas demais pessoas, nos eximindo
de responsabilidades que nos cabem.
Amar
o Belo e o Perfeito é fácil. Amar-nos
com todas a nossas falhas é que são
elas!
O
lado "luz" pode ser tão assombroso,
quanto o próprio lado "sombra".
E, também, pode causar danos. Tanta luz
pode nos ofuscar e fazer confundir o detalhe
com todo o resto.
Se
uma pessoa desejar ser somente boa, um poço
de valores e virtudes, com certeza vai negar-se
a enxergar suas próprias falhas, limitações
e incoerências.
A
missão pessoal torna-se mais clara e
palpável a partir da idade madura. Agora,
a pessoa já tem experiências suficientes
para ter-se conhecido melhor, para ter-se surpreendido
consigo em atitudes autenticamente generosas
e, algumas vezes, muito mesquinhas.
Na
idade madura a pessoa já sabe o que é
genuinamente bom e confiável em si e
o que merece ser transformado. Se possível.
A
idade da colheita.
Agora
a pessoa sabe o que tem a oferecer para um relacionamento
e passa a colher os frutos, doces ou amargos,
de seu merecimento.
Ela
pode furtar-se de saborear os frutos das sementes
plantadas pelo caminho, mas é obrigada
a continuar participando do plantio, sob risco
de perder o sentido da sua vida.
A
consciência de que nas relações
humanas nada está total e definitivamente
resolvido, lhe traz um novo impulso para que
se enriqueça com as novas experiências,
sem precisar provar nada para ninguém.
Mas, para aprender a não se deslumbrar
com o lado luz, nem se horrorizar com o lado
sombra de quem quer que seja.
Nem
o deslumbramento, nem o horror, conduzem ao
conhecimento. Só fazem por qualificar
as experiências de relacionamento.
O
que nos torna mais sábios para o convívio
humano é a nossa integridade. "Todos
os nossos lados" fazem parte de nós.
E, tanto para com as nossas virtudes, quanto
para as nossas ignomínias, precisamos
ser honestos e compadecidos.
Respeitar
e saber que, se somos capazes e passíveis
de amar e ser amados, isso não acontece
apesar dos nossos defeitos de caráter
mas, exatamente, por causa deles.
Pois, é o amor que nos torna reais, sem
macular nossos ideais. E essa é a nossa
missão pessoal: aprender a ser aquilo
que somos e amar como os outros gostariam de
ser amados!
DICAS
PARA SIMPLIFICAR A VIDA
Se
lhe pedirem para guardar "segredo",
diga logo que não. Domine a sua curiosidade
e não terá que vigiar sua indiscrição.
Bastam os seus próprios segredos. Não
se sobrecarregue com mais.
Se
você não tiver disposição
para mudar de idéias, não as troque.
Livros são mais simples do que pessoas.
Quando você não gosta, fecha e
põe de lado. Se você se envolver
com pessoas, terá que trocar idéias
com elas e se colocar em cheque. Por isso, converse
– sempre – com pessoas que possam
ser mais brilhantes e inteligentes que você.
Já que vai trocar, que seja por outra
melhor. Senão, leia livros, que já
é de bom tamanho.
Quando
estiver para tomar uma decisão, leve
o tempo que precisar, antes. Depois de tomada,
execute-a o mais breve possível. Isso
é prudente. Decisões só
devem ser tomadas depois de amadurecidas. Isso
requer tempo. Daí, é partir para
a ação. Pior do que tomar uma
decisão séria e vir a se arrepender
depois, é não cumpri-la e passar
o tempo sem se perdoar por não haver
feito o que precisava.