ORIENTAÇÃO FAMILIAR

 
CAMINHOS PARA A CONSTRUÇÃO DA MATURIDADE E DA AUTONOMIA
 
Por Leonardo Fraiman
 

ADOLESCÊNCIA: FASE DE ANGÚSTIAS / FASE DE ESCOLHAS

A adolescência pode ser muito angustiante. O jovem deve aprender a lidar com espinhas, inseguranças, com a auto-imagem e com a aceitação do grupo. São muitos os temores: chegar naquela garota perante a qual ele congela (esquecendo que ela também está insegura e louca para que ele chegue nela), as inseguranças perante o pavor de não gabaritar nada no vestibular, o horror de assumir publicamente qualquer atitude ridícula, dentre inúmeros outros "fantasmas", fazem da vida do adolescente uma ansiedade só.

Adolescer não é fácil. São milhares de escolhas a fazer. E há quem diga que tudo o que eles têm de fazer é estudar. Isto não reflete bem a verdade. Existem inúmeras decisões que eles devem tomar e que irão interferir no resto de suas vidas. Cada dia é um novo universo que se descortina. Não existem respostas prontas. Tudo deve ser descoberto. Gostamos de usar a expressão "amadurescência", como uma fase na qual o indivíduo avança em seu desenvolvimento podendo crescer de modo pleno e autêntico nos âmbitos social, acadêmico, profissional, sexual e moral.

Nossa missão, como educadores e como pais, é mostrar os caminhos para ajudar o seu filho a escolher amadurecer. Isso significa que você irá ajudá-lo a somar mais uma possibilidade existencial. Amadurecer não significa ficar intransigente, nem chato, nem infeliz. Você deve mostrar que ele poderá continuar sendo criança em certos momentos. Mas para tudo tem hora, contexto adequado e pertinência. Brincar é muito bom, mas brincar ridicularizando os outros é outra coisa.

É desejável que os adolescentes compreendam que juventude não é um período da vida; ela é, isto sim, um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação. Desta forma, é importante fazê-los entender que jovem é aquele que se admira, se maravilha, desafia os acontecimentos e encontra alegria e disposição no jogo da vida.

Quero declarar aqui que eu mesmo, hoje homem feito, me surpreendo às vezes pedindo a Deus que a Vida mantenha dentro de mim traços do adolescente que um dia fui. Quero poder conservar aquela energia, aquela capacidade de admiração, prazer e jovialidade, o fantástico potencial de associação, a inesgotável curiosidade intelectual e sobretudo o idealismo e a paixão. Sei que parece pedir demais, mas farei tudo para não perder essa essência.

ESCOLHER A SUA IDADE MENTAL

O ideal é escolher conscientemente a nossa idade mental e a usar atitudes certas nos momentos apropriados. Afinal, nós apenas estendemos nossas possibilidades. É um erro pensar que amadurecer é só perder. Não é saudável que seu filho continue adolescente até os seus 30 ou 35 anos porque, ao amadurecer, ele ganha autonomia e liberdade. Além disso, quando a pessoa amadurece, há a possibilidade de viver a vida que ela escolhe.

Quando a pessoa prolonga demais sua adolescência pode acabar se tornando apática, pois é nessa fase que estamos mais abertos para sonhar, para querer seguir nossos projetos e para ganhar o mundo. Nessa etapa da vida é comum encontrar apoio em outras pessoas, o tempo parece maior e é a hora exata para formar nosso próprio ser, da forma mais ampla possível, criando uma base essencial para o nosso sucesso futuro.

APATIA: BAIXA AUTO-ESTIMA OU VAIDADE?

Ainda hoje existe muitos jovens que acabam não escolhendo nada, que adotam a postura de não ser nada, não querer nada e não se comprometer com nada. Isso pode até ser gostoso e divertido, mas custa caro a médio prazo, pois a base da vida, com os conhecimentos e experiências que eles deixam de formar serão cobrados mais à frente. Alguns pais pensam que seus filhos não amadurecem e não se determinam em suas tarefas pois têm baixa auto-estima. Chegam a recorrer a anti-depressivos quando na verdade estão diante de verdadeiros tiranos, que usam de uma máscara de apatia para disfarçar sua vaidade excessiva. – "Eu... que tive sempre tudo na vida... agora vou ter que ralar para entrar em uma faculdade de primeira linha? Meu pai que pague a que eu quiser para mim...!", pensamento típico de um jovem que se acostumou com os pais fazendo tudo por ele.

Esta postura pode acabar minando o futuro e pode, na verdade, ser um sintoma de vaidade excessiva. Auto-estima elevada demais. O que esconde o medo de tentar algo e se frustrar. Muitos adolescentes já no ensino médio deixam de entrar na roda da vida e se escondem em infindáveis tardes de vídeo game ou numa infantilização violenta. Eles brigam com os seus pais e contra tudo e todos que tentarem tirá-los de um adormecimento existencial e por vezes chantagista.

Um jovem assim, tem medo de viver e revela uma ingratidão com a vida. Seus pais se desesperam e eles acham graça, sem perceber que podem pagar um preço enorme lá na frente, afinal, os pais não são eternos e cedo ou tarde o mundo solicitará – no trabalho, no casamento, na vida, um preparo ao qual não fizeram jus. Os pais não podem deixar que os filhos os transformem em escravos de sua infância prolongada por puro medo de perdê-los, ou de deixar de ser amiguinhos dos filhos. Pai é pai. Amigo é amigo. Às vezes estes papéis se misturam. Noutras, é melhor separar. No supermercado, recentemente, ouvi a conversa de um pai com o seu filho de aproximadamente 14 anos. O filho falava para o pai: - "Me deixa, relaxa... porque você se importa tanto? Porque pega tanto no meu pé com a escola, com os meus horário? Você vai acabar colocando tanta pressão que eu vou usar drogas... aí sim você vai ver!". Quanta chantagem. O pai nem sabia mais o que dizer e os dois saíram andando sem falar mais nada.

 
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