ADOLESCÊNCIA:
FASE DE ANGÚSTIAS / FASE DE ESCOLHAS
A adolescência pode ser muito angustiante.
O jovem deve aprender a lidar com espinhas, inseguranças,
com a auto-imagem e com a aceitação
do grupo. São muitos os temores: chegar
naquela garota perante a qual ele congela (esquecendo
que ela também está insegura e louca
para que ele chegue nela), as inseguranças
perante o pavor de não gabaritar nada no
vestibular, o horror de assumir publicamente qualquer
atitude ridícula, dentre inúmeros
outros "fantasmas", fazem da vida
do adolescente uma ansiedade só.
Adolescer não é fácil.
São milhares de escolhas a fazer. E há
quem diga que tudo o que eles têm de fazer
é estudar. Isto não reflete bem
a verdade. Existem inúmeras decisões
que eles devem tomar e que irão interferir
no resto de suas vidas. Cada dia é um
novo universo que se descortina. Não
existem respostas prontas. Tudo deve ser descoberto.
Gostamos de usar a expressão "amadurescência",
como uma fase na qual o indivíduo avança
em seu desenvolvimento podendo crescer de modo
pleno e autêntico nos âmbitos social,
acadêmico, profissional, sexual e moral.
Nossa missão, como educadores e como
pais, é mostrar os caminhos para ajudar
o seu filho a escolher amadurecer. Isso significa
que você irá ajudá-lo a
somar mais uma possibilidade existencial. Amadurecer
não significa ficar intransigente, nem
chato, nem infeliz. Você deve mostrar
que ele poderá continuar sendo criança
em certos momentos. Mas para tudo tem hora,
contexto adequado e pertinência. Brincar
é muito bom, mas brincar ridicularizando
os outros é outra coisa.
É
desejável que os adolescentes compreendam
que juventude não é um período
da vida; ela é, isto sim, um estado de
espírito, um efeito da vontade, uma qualidade
da imaginação. Desta forma, é
importante fazê-los entender que jovem
é aquele que se admira, se maravilha,
desafia os acontecimentos e encontra alegria
e disposição no jogo da vida.
Quero declarar aqui que eu mesmo, hoje homem
feito, me surpreendo às vezes pedindo
a Deus que a Vida mantenha dentro de mim traços
do adolescente que um dia fui. Quero poder conservar
aquela energia, aquela capacidade de admiração,
prazer e jovialidade, o fantástico potencial
de associação, a inesgotável
curiosidade intelectual e sobretudo o idealismo
e a paixão. Sei que parece pedir demais,
mas farei tudo para não perder essa essência.
ESCOLHER A SUA IDADE MENTAL
O ideal é escolher conscientemente a
nossa idade mental e a usar atitudes certas
nos momentos apropriados. Afinal, nós
apenas estendemos nossas possibilidades. É
um erro pensar que amadurecer é só
perder. Não é saudável
que seu filho continue adolescente até
os seus 30 ou 35 anos porque, ao amadurecer,
ele ganha autonomia e liberdade. Além
disso, quando a pessoa amadurece, há
a possibilidade de viver a vida que ela escolhe.
Quando
a pessoa prolonga demais sua adolescência
pode acabar se tornando apática, pois
é nessa fase que estamos mais abertos
para sonhar, para querer seguir nossos projetos
e para ganhar o mundo. Nessa etapa da vida é
comum encontrar apoio em outras pessoas, o tempo
parece maior e é a hora exata para formar
nosso próprio ser, da forma mais ampla
possível, criando uma base essencial
para o nosso sucesso futuro.
APATIA: BAIXA AUTO-ESTIMA OU VAIDADE?
Ainda hoje existe muitos jovens que acabam não
escolhendo nada, que adotam a postura de não
ser nada, não querer nada e não
se comprometer com nada. Isso pode até
ser gostoso e divertido, mas custa caro a médio
prazo, pois a base da vida, com os conhecimentos
e experiências que eles deixam de formar
serão cobrados mais à frente.
Alguns pais pensam que seus filhos não
amadurecem e não se determinam em suas
tarefas pois têm baixa auto-estima. Chegam
a recorrer a anti-depressivos quando na verdade
estão diante de verdadeiros tiranos,
que usam de uma máscara de apatia para
disfarçar sua vaidade excessiva. –
"Eu... que tive sempre tudo na vida...
agora vou ter que ralar para entrar em uma faculdade
de primeira linha? Meu pai que pague a que eu
quiser para mim...!", pensamento típico
de um jovem que se acostumou com os pais fazendo
tudo por ele.
Esta
postura pode acabar minando o futuro e pode,
na verdade, ser um sintoma de vaidade excessiva.
Auto-estima elevada demais. O que esconde o
medo de tentar algo e se frustrar. Muitos adolescentes
já no ensino médio deixam de entrar
na roda da vida e se escondem em infindáveis
tardes de vídeo game ou numa infantilização
violenta. Eles brigam com os seus pais e contra
tudo e todos que tentarem tirá-los de
um adormecimento existencial e por vezes chantagista.
Um
jovem assim, tem medo de viver e revela uma
ingratidão com a vida. Seus pais se desesperam
e eles acham graça, sem perceber que
podem pagar um preço enorme lá
na frente, afinal, os pais não são
eternos e cedo ou tarde o mundo solicitará
– no trabalho, no casamento, na vida,
um preparo ao qual não fizeram jus. Os
pais não podem deixar que os filhos os
transformem em escravos de sua infância
prolongada por puro medo de perdê-los,
ou de deixar de ser amiguinhos dos filhos. Pai
é pai. Amigo é amigo. Às
vezes estes papéis se misturam. Noutras,
é melhor separar. No supermercado, recentemente,
ouvi a conversa de um pai com o seu filho de
aproximadamente 14 anos. O filho falava para
o pai: - "Me deixa, relaxa... porque você
se importa tanto? Porque pega tanto no meu pé
com a escola, com os meus horário? Você
vai acabar colocando tanta pressão que
eu vou usar drogas... aí sim você
vai ver!". Quanta chantagem. O pai nem
sabia mais o que dizer e os dois saíram
andando sem falar mais nada.