Quanto maior a vontade de conhecer,
maior o impulso de olhar e tocar com cuidado.
Passeamos
o olhar por tudo aquilo que queremos possuir,
com calor e intensidade, como que enxergando
por dentro. É um "olhar de veludo",
envolvente. E tocamos suavemente, buscando conhecer
através dos sentidos, colocando o objeto
querido dentro de nós mesmos.
É
assim que os amantes se acariciam. Tocam com
os olhos, enxergam pelas mãos. Tudo muito
precioso e fugidio, não uma busca sôfrega,
mas um profundo e apaziguante encontro das almas.
Entre amantes-amados um abraço significa
tanto quanto sexo, emprestando segurança,
confiança e aceitação,
acolhendo o outro junto ao nosso corpo.
Os
gestos sensuais são lentos e, principalmente,
naturais. Aliás, são sensuais
exatamente porque são naturais. Não
é "fazendo pose" que conquistamos
alguém. A "pose" chama a
atenção, a espontaneidade encanta.
Não há nada mais atraente que
um andar desembaraçado, um riso solto,
frescor de banho recém-tomado, sem esforço
para agradar. Pequenos gestos podem ter efeito
de uma "bomba", na consciência
e no querer do outro.
A
simplicidade, a graça de juventude, o
charme da maturidade, estar de-bem-com-a-vida,
é o que mais cativa numa relação,
pois não nos ameaça. Deixa-nos
à vontade para sermos quem somos. É
natural abraçar um amigo, beijar as faces
de uma criança, descansar a cabeça
no ombro do namorado, voltar a deitar no colo
da mãe.
Precisamos
ser vistos e tocados. A pior coisa é
a indiferença. Ser tratado como se não
existíssemos. Chega a ser enlouquecedor.
Para chamar a atenção, crianças
fazem birra, adolescentes ficam rebeldes, adultos
se tornam agressivos chegando, algumas vezes,
à violência, e os velhos podem
ficar doentes ! Corpo que não é
tocado, abraçado, como que deixa de existir.
Ou, então, dói. O toque e, principalmente,
a carícia, é o registro físico
da nossa existência.
Quando
desejamos alguém é difícil
suportar a distância física. O
amor dos sentidos anseia por carícias
sensuais.
O
amor-amigo requer menos carícias e mais
carinho. Um afago, um olho-no-olho, mãos
dadas ou, simplesmente, sentir o calor do corpo
do outro... O carinho pode evoluir para a carícia
sensual, ou permanecer na leveza do agrado e
do bem-querer. Acariciar o rosto de alguém,
dar um beijo terno, se enroscar e ficar abraçadinho...
são carícias de amizade.
A
linguagem dos gestos é muito rica e nem
todos fomos bem "alfabetizados"
nessa linguagem. Usamos o corpo para trabalhar,
fazer filhos, buscar prazer. Muito pouco para
nos comunicar e relacionar. Sem jeito, podemos
tocar os outros de uma forma que eles não
gotam.
Já
reparou como adolescentes trocam tapas, encontrões,
cotoveladas, uns nos outros, exatamente porque
ainda são inexperientes e estão
ansiosos com o novo despertar dos sentidos e
as mudanças do seu corpo ? Carinho numa
colega, tudo bem. Entre rapazes ? Nem pensar
! Têm muitas dúvidas a seu próprio
respeito e sobre sexo, para se arriscar. Vivem
se tocando como se não o fizessem, ou
como se não fosse tão importante.
Com
a auto-confiança trazida pelo amadurecimento
fica menos difícil para um homem expressar
seu bem-querer por um amigo do mesmo sexo e
trocar "aquele" abraço. Mulheres
são mais fluentes nessa linguagem. Mexem
nos cabelos, umas das outras, conferem sua pele,
se está macia com o novo creme... Se
afagam com naturalidade, numa troca de carinho
mútuo que encanta e, também, atrai
um companheiro. Mais do que inteligente e bonita,
o que o homem mais deseja é uma mulher
carinhosa. Mais gestos e menos palavras. Mais
abraços e beijo e menos conselhos ou
palpites que não são solicitados.
Mesmo
a pessoa mais carinhosa pode, porém,
nalgum momento, precisar se recolher e não
querer fazer nada. Fazer carinho é dar
de si, e nem sempre queremos ou temos o que
oferecer. Algumas pessoas são pobres
nesta linguagem. E outras detestam ser tocadas.
Amam de longe.
Nem
todos aprendemos a "falar" com o
nosso corpo. Nossos sentimentos ficam presos
e nossas mãos se esquecem de acariciar,
os olhos não conseguem mirar. A repressão
dos afetos, a falta de carinho durante a criação
têm um peso considerável nisto
tudo. Mas, o mais importante é se você
deseja superar dificuldades e ser mais fluente
nos gestos.
Talvez
não lhe faça tanta falta. Mas,
se seu companheiro, ou companheira, reclama,
diz que você é insensível,
distante, vale a pena desenvolver mais a linguagem
do toque, carinhos e carícias, em vez
de apostar tudo no momento sexual.
Comece
por beijar seus filhos. Faça um carinho
na sua avó. Ou na sua mãe. Adote
um cachorrinho. Sorria para seus colegas. Abrace
apertado um amigo. Olhe nos olhos da pessoa
amada. Principalmente, acaricie seu próprio
rosto e seu próprio corpo, dizendo com
alívio e alegria: "Ah, como eu
gosto de você! Que bom te encontrar de
novo!"