Uma das maiores virtudes, a
gratidão, pode ganhar forma em uma simples
palavra: obrigado.
A
capacidade de dizê-la, espontaneamente,
deriva de um lado da sensibilidade para apreciar
que um "algo a mais" foi feito e,
de outro, da disposição em expressar
abertamente esse reconhecimento.
Este
"algo a mais", pode ser um pequeno
favor, uma ajuda inestimável, um simples
oferecimento de algo material, ou de uma idéia.
Trata-se
de um gesto não devido, sem qualquer
obrigatoriedade, que temos a graça de
fazer ou de receber. Há gestos automáticos,
de cujo valor as pessoas não têm
a menor noção.
E
há gestos grandiosos que, longe de ajudar,
se tornam verdadeiras invasões. Não
importa o quê, está em jogo o valor
do próprio gesto.
Você
pode não gostar de uma idéia,
mas pode agradecer por tê-la escutado.
É
interessante que somos muito gratos e polidos
com os desconhecidos e tomamos como certas e
de direito, as gentilezas que os nossos íntimos
nos proporcionam.
É
como se disséssemos: "Não
precisava se preocupar comigo", aos desconhecidos
e "você tem que se preocupar comigo"
aos amigos.
Na
verdade, nem uma coisa, nem outra. Faz parte
de um viver harmônico que desconhecidos
se preocupem com os destinos de desconhecidos.
Se não, porque haveríamos de lutar
pela paz mundial?
Também,
faz parte que amigos com quem estamos muito
envolvidos, confiem que sejamos perfeitamente
capazes de tocar a nossa vida e resolver nossos
problemas, esquecendo-se de se oferecer para
nos ajudar.
Muitas
vezes, contamos aos amigos o que nos aconteceu
de ruim, depois de termos resolvido tudo e superado
a crise. Nós, também, esquecemos
de pedir ajuda ou não queremos incomodar.
Então,
os verdadeiros amigos se zangam "Por que
você não me chamou?! Eu teria largado
tudo e vindo na hora!" Ou, então,
podem suspirar aliviados e dizer, sem que a
gente se ofenda "Que bom que já
passou tudo e eu nem soube! Você me poupou
de uma grande preocupação".
Isso
quer dizer que vivemos no limite de precisarmos
cuidar de desconhecidos e esquecer os amigos
e, por outro lado, precisarmos contar somente
com as nossas forças, esquecer os desconhecidos
e cuidar bem dos amigos.
É
um limite impreciso e mutante, que atesta a
nossa consideração pelos outros
e a nossa capacidade de sermos humildes, já
que nenhum favor é obrigação e que não temos direito à nada,
que o outro não se lembre ou que não
queira nos oferecer.
Este
reconhecimento da graça que vem "de
graça" deriva da nossa capacidade
de nos envolver: quanto mais profundo o relacionamento
entre as pessoas, maior o senso de individualidade
e a capacidade de apreciar a originalidade do
outro.
Todo
envolvimento profundo é empático
e criativo, pois, quando uma pessoa aprecia
um amigo, um colega, está motivada a
fazer o que puder por ele.
Cada
"obrigado" sincero que pronunciamos
pelo apreço que nos é dedicado,
contempla duas dimensões, simultaneamente:
a gratidão aos nossos semelhantes, pelo
que, material e gentilmente nos é doado,
e a gratidão a Deus, por termos recebido
um algo especial, tenhamos, ou não, merecido.
Além disso, na dimensão espiritual,
todas as graças que recebemos não
dependem do nosso merecimento.
Se,
entre os homens, a gratidão pode se resumir
numa simples palavra, quando vibramos na dimensão
sagrada, faltam-nos palavras para expressá-la.
É
só emoção e uma certeza
daí derivada: "Que um dia, faremos
por alguém, aquilo que nos é dado
receber agora". Essa é uma promessa
do coração, que nos dará,
certamente, a chance de resgatá-la.
Uma
das maiores graças que recebemos, é
o conhecimento. Uma aula bem dada, uma instrução
clara para resolver um problema, uma pergunta
no lugar de duas respostas.
Se
estamos, pois, preparados para liderar, é
mister levar ao grupo o nosso conhecimento e,
principalmente, promover o enriquecimento do
saber do grupo.
E,
mais do que saber sobre outros grupos, saber
de si próprios. É o líder
envolvido na promoção do auto-conhecimento,
caminho – por excelência –
da conquista da autonomia e da liberdade.
Cada
discussão e troca de idéias num
grupo, a partir de um sentido mais amplo, pode
se tornar uma expressão da nossa gratidão,
um momento compartilhado de evolução
espiritual.
A
pessoa que compartilha seus conhecimentos e,
principalmente, discute suas dúvidas,
demonstra seu vínculo com Deus.