Quando ele se apresenta é
para dizer que "estamos todos aqui".
Sua presença marca uma representação
coletiva, que significa mais do que uma delegação.
Trata-se de uma decisão unânime,
que outorga ao líder o poder e a faculdade
de nos fazer estar coletivamente presentes através
de sua presença única.
Quanto
mais legitimado, sua presença marca,
não apenas um "estar presente",
mas uma solene apresentação de
força e poder. Não de sua força
e poder, mas daqueles que o legitimam. Nós.
A sua estatura refletirá a força
e a confiança que é nossa e, por
deliberação, lhe foi delegada,
alçando-o em nível de nosso representante.
Por isso é certo falar em poder, força
e confiança do grupo e responsabilidade
do líder, e não o contrário,
embora o grupo deva ter a responsabilidade de
escolher certo seus líderes e honrá-los,
mesmo quando e se a escolha não tiver
se revelado boa na prática.
Somente
mediante o respeito total e absoluto a esses
princípios é que a energia do
grupo será redobrada e reforçada
a cada nova escolha. Mesmo quando se escolhe
um mesmo líder, o que vale é o
processo da escolha, sem o qual nenhuma liderança
pode ser legitimada.
À
cada escolha prosseguimos "de força
em força" e é assim que
se cumpre uma missão. A fonte desta força
renovada é a liberdade e o grau de consciência
com que a executamos.
A
natureza da liderança não muda.
O que muda é a natureza do líder.
Alguns, não marcam mais que a sua própria
e insignificante presença, pois um líder
não escolhido para ser eleito, é
um líder sem qualquer legitimidade, alguém
que representa sua própria capacidade
de representar.
Aquele líder, no entanto, que reflete
a conduta dos que são os seus legítimos
eleitores, reflete, também, seus atributos
mais elevados e presentes, pois tornam-se, todos,
uma única parte integrante e integrativa
de uma comunidade.
A
questão da legitimidade se coloca, portanto,
tanto para o líder, quanto para os liderados,
pois se estes não tiverem maturidade
e vontade de exercer o seu poder de escolha,
a força do líder advirá
de sua própria personalidade e caráter
e não espelhará a vontade coletiva,
a não ser por acaso e, como obra do acaso,
igualmente sujeita ao caos.
Quando
uma pessoa se identifica com o seu legítimo
líder, que igualmente se identifica com
seus liderados descobre, a partir de seu âmago,
todo um potencial próprio a ser revelado
e executado, a sua missão. E, tendo descoberto
a sua própria missão, tem acesso
irrestrito às suas próprias fontes
inesgotáveis de força, de saber,
de superação.
É
isto que está na base do processo de
motivação para transformar obstáculos
em incentivos para a criação,
bem como o início de uma longa aprendizagem
para apreciar o imenso bem que a prática
da missão introduz na alma pessoal e,
desta, na vida coletiva.