Meu filho deve fazer
atividades extracurriculares?
Muitos colégios particulares têm uma boa gama de cursos extracurriculares, mas boa parte deles são cobrados à parte. Por isso vale a pena considerar a hipótese de matricular o filho em uma boa escola pública e aproveitar o dinheiro economizado nas mensalidades investindo em cursos especializados. "Com bons diretores e corpo de professores motivado, há escolas públicas tão boas ou até melhores do que muitas particulares", observa o psicoterapeuta Leonardo Fraiman, especialista em psicologia educacional e autor de livros como Meu filho vai prestar vestibular. E agora? (editora Gente). Para ter uma idéia a respeito, basta uma olhada no resultado do Enem, o exame nacional do ensino médio. Os dois primeiros lugares de 2005 ficaram com dois colégios do Rio de Janeiro – um privado (o São Bento), o outro público (a Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio). Em comum, os dois têm um quadro de professores de alto nível, a maioria com mestrado ou doutorado.
Quais são os cursos extras ideais?
Os cursos podem ser de dois tipos: os capacitantes ou os focados em lazer ou no aprimoramento cultural. Os primeiros desenvolvem habilidades que podem ter aplicação no mercado de trabalho, como idiomas, informática, matemática financeira ou empreendedorismo. Embora não tenham o mesmo efeito prático, os cursos do segundo grupo, como esportes, balé, música e teatro, ajudam a criança e o jovem a descobrir dons e interesses. Podem dar as pistas para que eles descubram um projeto de vida e contam pontos com os empregadores no futuro.
Como saber se a escolha foi acertada?
A própria criança é um bom termômetro, embora não o único. Se ela vai feliz para o colégio, criou um bom círculo de amigos, tem autonomia para executar a lição de casa e fala com entusiasmo das atividades em sala de aula, é porque a escola combina com o temperamento da criança. "Tem pai que opta por um colégio puxado porque acredita que o filho é indisciplinado em casa", observa Tânia Zagury, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de Escola Sem Conflito – Parceria com os Pais (editora Record). "Com isso, porém, há o risco de a criança sentir-se desestimulada e não render tudo o que poderia."
A partir de quando é hora de
começar a pensar numa profissão?
O ideal é que a escola comece a provocar a reflexão sobre um curso universitário até o segundo ano do colegial, quando o aluno já tem certa maturidade para pensar no assunto e ainda não sofre a pressão de ter que assinalar uma escolha na ficha de inscrição do vestibular. Muitas apostam na organização de palestras, debates, trazem profissionais para falar sobre seu trabalho ou levam os alunos às universidades para conhecer melhor os cursos. "O importante, nessa fase, é mostrar que a escolha profissional faz parte de um projeto mais amplo de futuro", diz o pedagogo Silvio Bock, autor do livro Orientação Profissional – A Abordagem Sócio-Histórica (editora Cortez). "Mais do que descobrir sua vocação, nesse momento o jovem vai conhecer melhor as profissões e a realidade social, política e econômica que envolve essa decisão."
Muitas escolas de ensino médio ajudam ativamente na escolha da futura profissão. Alunos do segundo ano de ensino médio do colégio Suíço-Brasileiro, em São Paulo, por exemplo, trocam a sala de aula durante todo o mês de outubro por um estágio em período integral em alguma empresa. A estudante Cristina Bianchesi, 18 anos, deu expediente no departamento de marketing de uma empresa de auditoria. "Cada semana eu passava por um setor e foi muito bom para ver como é uma carreira na real", diz Cristina, que pretende prestar vestibular para arquitetura.
Qual é o melhor momento
para estudar no exterior?
Depende do objetivo. Em 2005, 55 000 brasileiros embarcaram para o exterior para estudar. A estimativa é da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association), associação que reúne as principais instituições do país que oferecem cursos, estágios e intercâmbio lá fora. No passado, a maioria desses estudantes ia fazer o intercâmbio tradicional – ou seja, passar seis meses ou um ano freqüentando uma high school e morando na casa de uma família para ganhar fluência na língua local. "Hoje, intercâmbio não é coisa mais só de adolescente. Pelo contrário, com as inúmeras opções disponíveis, a maioria das pessoas que compra um programa para estudar no exterior já terminou o colegial, está na faculdade ou é um profissional inserido no mercado de trabalho", afirma Maura de Araújo Leão, diretora de operações da Belta. A febre do momento são os programas de trabalho remunerado, que atendem jovens entre 18 e 28 anos que estejam cursando uma faculdade e tenham conhecimento do idioma do país em que irá trabalhar. "A procura cresceu por causa da oportunidade de ter o investimento de volta no final do programa", observa Maura. Enquanto o investimento em um programa de High School nos Estados Unidos fica em torno de 7 500 dólares (incluindo passagem aérea e despesas gerais), o programa de trabalho remunerado custa cerca de 2 200 dólares (incluindo a parte aérea, mas sem estadia). "Com o que a gente ganha dá para pagar a moradia e a alimentação e, se for econômico, até voltar com alguma coisa", diz Vinícius Guerra Torres, 20 anos, estudante do segundo ano de administração da Faculdade de Administração da USP, que passou recentemente uma temporada de seis meses em uma cidade próxima de Nova York, pelo programa de trabalho remunerado no exterior oferecido pela STB. "Além de aperfeiçoar o meu inglês, deu para aprender um pouco sobre a gestão da empresa em que trabalhei", diz ele, que atuou numa estação de esqui. É uma experiência que conta pontos no currículo aos olhos do mercado. Mas se a intenção é focar o aprendizado da língua, Maura explica que o programa de intercâmbio numa high school ainda é a melhor opção. "A convivência mais profunda do jovem com a família hospedeira, com a cultura do país e a participação na vida escolar como aluno regular proporcionam um desenvolvimento lingüístico enorme, levando a uma fluência do idioma inigualável", observa ela. Nesse caso é preciso ponderar apenas o local para onde o jovem será enviado, levando em conta o temperamento e as expectativas dele. Quem gosta de uma vida cultural agitada, corre o risco de não se adaptar a uma cidadezinha pacata do interior dos Estados Unidos, da mesma forma que quem não suporta frio sofrerá bastante para encarar o inverno canadense nos meses de janeiro e fevereiro. Como o investimento é caro, é bom pensar em todos os detalhes que facilitem a adaptação do jovem para que ele tire o máximo de proveito possível da experiência.
Onde pleitear uma bolsa de estudos?
Existem diversos programas de financiamento e bolsas oferecidos pelo poder púbico, instituições privadas e até as próprias universidades. O governo federal tem o Financiamento Estudantil (Fies), concedido pelo Ministério da Educação, e o ProUni, criado em 2005. O Fies financia apenas 50% da mensalidade, o restante deve ser pago pelo estudante mensalmente à faculdade. Antes mesmo de terminar o curso, ele precisa começar a saldar o empréstimo. As inscrições devem ser feitas pela Internet (http://fies.caixa.gov.br) e a seleção leva em conta a renda familiar, entre outros dados. O Pro-Uni concede bolsas integrais ou parciais, dependendo da renda familiar do candidato, que precisa ter cursado escola pública ou particular com bolsa integral e ter feito a prova do Enem. Além disso, é preciso que a faculdade em que deseja ingressar tenha se associado ao programa. Inscrições também são recebidas pela internet (www.mec.gov.br/prouni). Alguns estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, contam com programas semelhantes. A Fundação Estudar destina bolsas para cursos de Administração e Ciências Econômicas, no Brasil ou no exterior. O valor varia de 10% a 100%, que o estudante se compromete a devolver depois que se formar. Para se inscrever no site da entidade (www.estudar.org.br), é necessário que o interessado esteja matriculado em um curso universitário com conceito A no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Há também a possibilidade de obter um bolsa patrocinada pela própria instituição de ensino – em geral similar à do Fies. |